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sabato 30 aprile 2016

Analise de Caruso e Tetrazzini sobre os problemas da técnica vocal

Enrico Caruso e Luisa Tetrazzini: Cantores cuja fama atravessou a passagem de um século...para  compreendê-lo, basta ouvir os seus registros.
Vozes usadas como instrumentos ao máximo grau das suas possibilidades expressivas.


No livro “Caruso and Tetrazzini on the Art of singing, escrito por estes dois cantores italianos maravilhosos são desenvolvidos também assuntos iluminantes nos capítulos-tema tratados pela soprano Luisa Tetrazzini: 

Breath Control-The Foundation of Singing / O controle da respiração (a base do canto); The MasteryoftheTongue / O autocontrole dos músculos da língua; Tone Emission and Attack / Emissão dos sons vocais e ataque; Facial Expression and Mirror Practice / Expressão facial e exercícios no espelho; Appreciative Attitude and Critical Attitude / Juízo de apreciação e juízo critico.
Eis alguns extratos muito sintéticos, em inglês, traduzidos para Português. São tratados com argumentos lúcidos e precisam alguns dos principais defeitos dos quais sofrem estudantes de canto hoje e grande parte da técnica do canto lírico.

Registros e suas uniões perfeitas 

Ainda que existam os registros e sons centrais, inferiores e superiores, eles não são produzidos do mesmo modo. A voz deve ser uniformizada até que a passagem pelos registros não seja ouvida. E um som produzido com a voz de cabeça e na voz profunda deve ter o mesmo grau de qualidade, ressonância e força.
Quando a voz sobe uma escala, cada nota é diferente, e quando se sobe, a posição dos órgãos da garganta não podem permanecer as mesmas para vários sons diferentes. Mas jamais deve ser uma troca brusca, nem percebida pela plateia, nem sentida na garganta do cantor. Cada som deve ser imperceptivelmente preparado e da elasticidade dos órgãos vocais depende a doçura da produção dos sons. Adaptar o aparato vocal ao registro agudo deveria ser tão imperceptível quanto automático, cada vez que uma nota aguda deve ser cantada.
No registro agudo deve ser usada principalmente a voz de cabeça ou voz que vibra nas cavidades da cabeça. O registro médio requer ressonância palatal e as primeiras notas do registro de cabeça e as últimas do médio requerem uma criteriosa mistura de ambos os registros. O registro médio pode ser alongado ao chegar nas notas agudas, mas primeiramente à custas da beleza da voz e depois da própria voz, pois nenhum órgão vocal pode sobreviver sendo usado erroneamente por muito tempo.
Esta é somente uma das causas pelas quais tantas vozes bonitas se quebram muito antes do que deveriam.


DEFEITO DA TREMIDO (O VIBRATO EXAGERADO) E SUAS CURAS

Um outro defeito, ainda na produção dos sons vocais é o tremido. É o cantor excessivamente ambicioso, o cantor que força um órgão pequeno e delicado o obrigando a fazer um trabalho pesado, é isso que desenvolve o tremido. O Tremido é um sinal do fato de que as cordas vocais foram exploradas além dos próprios limites consentidos pela natureza e existe apenas uma coisa que pode servir de remédio: o absoluto repouso por um período e em seguida, recomeçar o estudo vocal, primeiramente, cantando ‘boca chiusa’ e apoiando-se inteiramente sobre uma pressão (muito leve) respiratória para a produção do som.
O estudante que sofre de tremido ou até de um vibrato muito forte deve ter a coragem de parar imediatamente e de renunciar a uma voz grande. Até porque as vozes mais bonitas do mundo não são necessariamente as maiores vozes e certamente o tremido é quase o pior defeito que um cantor pode ter. Mas esse, assim como quase todos os outros problemas vocais pode ser curado com um trabalho correto e persistente. "Caruso and Tetrazzini on the Art of Singing" – Metropolitan Company, Publishers, New York, 1909)

PRONUNCIA CORRETA

Um outro defeito muito criticado nos jovens cantores é a falta de uma correta pronuncia ou dicção.
É somente depois que a voz vem a ser perfeitamente controlada que os lábios e a língua podem funcionar livremente para a pronúncia das silabas.
Quando a voz está no estado que pode-se chamar de “estado fermento”, o cantor está somente ansioso em produzir sons e a dicção escorrega para as margens do trajeto.


A ESCALA, UM GRANDE TESTE PARA CADA CANTOR

A escala é o maior teste para a produção dos sons vocais. Nenhum cantor de ópera, nenhum cantor de concerto que não consiga cantar uma escala perfeita pode ser chamado especialista ou ter conquistado resultados na sua própria arte. Seja soprano, Mezzo-soprano ou contralto, cada nota deve estar perfeita em seu gênero, e a nota de cada registro deve ter participação suficiente na qualidade do registro sucessivo, superior ou inferior, de modo que não se note a passagem quando a voz desce ou sobe na escala. Esta fusão dos registros é obtida pela inteligência do cantor em misturar as diferentes qualidades de sons dos registros, usando como ajuda os vários posições dos lábios, da boca e da garganta e do sempre presente apoio, sem o qual, nenhuma escala pode ser cantada de modo perfeito.
(tratto da: "Caruso andTetrazziniontheArtofSinging" - MetropolitanCompany, Publishers, New York, 1909)
 Deixamos disponível este livro publicado em 1909, pelo seguinte link:

Boa leitura a todos!

M° Astrea Amaduzzi
Si ringrazia la Dott.sa GABRIELA NUNES per la traduzione




Versione originale dell'articolo in lingua italiana:


La grande Luisa Tetrazzini, Soprano



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mercoledì 18 febbraio 2015

A respiração no Canto Lírico

A respiração no Canto Lírico

O mecanismo respiratório é uma questão fácil e absolutamente natural, mas quando tal mecanismo é aplicado ao Canto Lírico, tudo deve ser feito com perfeição.

A respiração, juntamente com a flexibilidade total da laringe e o ponto correto de ressonância, é a base para a melhor técnica vocal.

Teóricos mais ou menos famosos complicam muito o assunto, na verdade a maior parte dos alunos possui grandes problemas na emissão, por preguiça respiratória e sobrecarga de tensão em nível dos músculos do pescoço e dos ombros.

A respiração no Canto Lírico é desafiadora, porém não é assim tão complicada!

Seus principais pontos de apoio são o diafragma, os músculos intercostais e os músculos abdominais. Se forem bem usados e coordenando corretamente o total relaxamento da laringe, esses três pontos especiais transformam-se em precioso capital para a arte de cantar.

Analiso agora simplesmente o mecanismo respiratório com bases na minha experiência pessoal, seja como artista, seja como docente.

1) Os pulmões tem uma forma não homogênea e são bem mais amplos na sua base. (abaixo)
Os pulmões são mais largos e reservam mais ar na base.
2) O diafragma está localizado na base dos pulmões (abaixo)

O diafragma, um músculo em forma de cúpula, está localizado diretamente abaixo dos pulmões.




3) Os músculos intercostais, que ajudam diretamente a respiração, são especialmente aqueles das costelas flutuantes (baixas)

4) Os músculos que dão um maravilhoso apoio e controle da respiração são os abdominais (mais uma vez, posicionados da barriga para baixo, isto é em baixo)


Dedução lógica: A RESPIRAÇÃO NO CANTO LÍRICO NÃO PODE NEM DEVE SER ALTA OU NO VÉRTICE, porque o local de melhor eficiência respiratória entre músculos e capacidade pulmonar é toda localizada para baixo.

Como se respira melhor no Canto Lírico?

Inspiração: o diafragma se move para baixo, os músculos intercostais, as costelas e o abdômen se expandem, ajudados pelos maravilhosos foles dos músculos abdominais. Nesta fase, todo bom cantor relaxa completamente a garganta e os ombros, preparando em sua mente a entonação do som vocal, deixando a laringe totalmente livre, e prepara ligeiramente o palato mole para subir um pouco como quando se boceja.

Expiração: o diafragma sobe novamente, os músculos intercostais e o do abdômen se restringem e os músculos abdominais regulam a velocidade de emissão da respiração, sustentando a pressão através do uso de um apoio sábio sobre estes pontos musculares. Nesta fase, o cantor mantém ombros e garganta completamente relaxados, deixa a laringe totalmente livre para mover-se e escorregar e ajuda, com o uso sábio de lábios, língua e palato mole, a projeção dos sons (carinhosamente chamada de “máscara” no jargão do canto lírico), e a boa pronúncia do texto.


Em um mundo cheio de teóricos que analisam técnicas de canto, novas ou arcaicas, talvez seja importante parar para pensar e começar a dar ouvidos a grandes artistas do passado ou a artistas que hoje conseguem mostrar que sabem realmente cantar.

Você iria aprender a tocar violino ou piano com pessoas que não são capazes de tocar realmente bem o seu instrumento? Certamente que não. Então, por que os que não são capazes de cantar, ou pequenos e grandes teóricos deveriam ser chamados de "mestres"? Se a resposta é NÃO, então leiam no apêndice desse artigo alguns interessantíssimos testemunhos de grandes cantores, cujo valor é demonstrado, entre outros, por gravações imortais.
Apêndice: TESTEMUNHOS DE GRANDES CANTORES SOBRE A RESPIRAÇÃO

Lauri-Volpi sobre a respiração e a busca “harmônicos”:
“...eu sempre pensei que a respiração fosse costal-diafragmática, porquê nós temos duas caixas harmônicas, esta e esta, mas se nos limitamos somente a caixa toráxica e esquecemos a caixa craniana não encontramos os harmônicos, é como um piano, se não se usa o pedal, para que serve aquele caixão...”
Extraído de uma entrevista de Celleti e Gualerzi a Lauri Volpi no verão de 1976 no teatro di Busseto

Beniamino Gigli: Fôlego e respiração profunda:
“A primeira condição para cantar, é preciso recordar o ponto máximo, isto é, onde deve-se apoiar a voz, onde deve-se “respirar profundamente”, porque o canto é baseado unicamente na respiração, e é necessário respirar através do diafragma; O Diafragma tem uma grande importância.”
Masterclass de Beniamino Gigli em Vienna, 1955

Carlo Bergonzi sobre a importância do domínio da respiração, fundamento da técnica vocal:
“pude cantar ao lado de grandes tenores como Gigli, Schipa e Pertile. Aos quais, pedia conselhos técnicos nos intervalos:
“Comendador, como o senhor respira para fazer aqueles ataques na zona de passagem?”. E Gigli respondia: “Caro, coloque a mão aqui em cima do diafragma enquanto respiro”. E para me dar um exemplo atacava a primeira frase de “Mi par d’udirancor”. Hoje, existem muitos que dizem: “Sim, mas é a técnica antiga!”. Erram: A técnica é uma só e é baseada no domínio da respiração; é a interpretação em vez, que muda com os anos”.
( Retirado de uma entrevista com Carlo Bergonzi, publicada na revista “MUSICA” em Fevereiro 2009)

Conversação entre Arturo Toscanini e Giuseppe Valdengo:
“Somente o fôlego deve sempre estar na colunacom o som, naturalmente porque se falta o ar, adeus linha de bel Canto!”
(Trecho de “Scusi, conosceToscanini?" Editora Musumeci 1984 p. 77)

Entrevista com Laura – Volpi em Busseto, 12 de junho de 1976:
Disse a Toscanini: “Maestro já são dez vezes que saio e o publico o chama, venha” então saímos mais cinco vezes. Quando a cortina se fechou, me disse: “Escute Lauri Volpi, eu sinto o tempo como o senhor, mas não acreditava que um ser humano tivesse a força de recuperar os fôlegos, de tomar fôlego e chegar com este ímpeto até o fim: acreditava que o senhor fosse explodir”

Entrevista com Giuseppe Valdengo, em Parma, 9/4/1977 na casa de amigos:
O senhor ensina canto. Qual é a primeira coisa que ensina?
<< A respiração: se canta com a respiração. Depois, os vocalizes.>>
É necessário tempo e muita paciência antes de chegar as árias de ópera. Ensino aquilo que sei.

Entrevista com Mariella Devia, 28 setembro de 2010:
“A base técnica do canto éseguramente a respiração; trabalhei duro em mim mesma me escutando, fazendo-me escutar.”

Entrevista com Tenor Ugo Benelli:
“Tem algum conselho para os jovens que estão estudando sobre o que é desejável fazer durante o aprendizado e o que, ao contrário, é absolutamente proibido do ponto de vista técnico?

- O principal é “cantar sobre o fôlego” mas explicar isso é muito difícil. Montarsolo dizia que o corpo deveria ficar como no sono, com exceção do diafragma e da coluna de ar. Bruscantini aconselhava colocar um cinto nos alunos abaixo do diafragma (e ele o fez por toda a vida) para habituá-los a recordar onde deveriam apoiar o ar que é inspirado.  Eu falo de maciez, de ondas do mar que se quebram docemente sobre o rochedo.  Acho que quando se fala de ligar ou de apoiar deve-se pensar em uma escavadeira ou pá que deve coletar algo... e acho que uma posição corporal que tende ligeiramente para frente pode facilmente ajudar para encontrar o apoio correto. Aquilo que não se deve fazer absolutamente é cantar levantando as costas se elevam a cada inspiração, com rigidez corporal e mantendo a cabeça muito levantada, porque vai acabar facilmente na garganta.
A Simionato, durante a gravação de Cinderela, me dizia: “Piccinella, abaixe a cabeça”.
Um conselho que foi muito precioso.
(Trecho do site "operaclick")

Intervista a Luciana Serra
 “... A voz sempre projetada para fora com a boca oval e dando muita importancia a palavra.
A respiração é igual para todos (sopranos, barítonos, tenores, etc.). Todos devem ter as agilidades...” (Trecho do site "operaclick")

Entrevista com Jose Carreras
“A minha impostação técnica é a de sustentar sempre o som através da respiração e nunca fechar a garganta”

A propósito de Luciano Pavarotti:
“No modo de cantar de Pavarotti, nem tudo estava no mesmo nível (por exemplo, as mezzevoci), mas os fundamentos eram muito sólidos: respiração de manual, apoio diafragmático, voz na máscara, “passaggio” do registro correto e como conseqüência, agudos fáceis e estridentes.”
(Alberto Mattioli sobre Luciano Pavarotti no livro “Big Luciano - Mondadori, 2007)

Entrevista com Gabriela Tucci:
“Atualmente, o ensino é uma outra atividade importante na sua vida. Em que se baseia, essencialmente, a sua didática?
Em geral, meu ensino já de imediato exige ao máximo, ou seja, o canto é abordado em seus aspectos técnicos. Insisto na respiração, particularmente mal ensinada hoje em dia”.
(Trecho do site "operaclick")

Entrevista com Bruno de Simone:
Sesto Bruscantini (...)
Me advertiria bem cedo: “saiba que com as tuas características interpretativas, seguramente, te confiarão muito cedo os papéis “buffos” mas, - acrescentava- deverá estar bem ´preparado para executá-los, mantendo tua vocalidade firme e em forma, não somente ágil e rápida. E para isto, deves primeiro aprender bem o canto associado ao fôlego, que é a base para uma emissão vocal correta; caso contrário arriscará tornar-se apenas um falante Buffo!”
(Trecho do site "operaclick")

Palavras de Sonia Ganassi mezzo soprano belcantista de agilidade (sobretudo Rossiniana):<<Sempre fiz e faço exercícios de agilidade usando um controle grande da respiração...com muita técnica vocal...não se faz nada, nenhum som se faz sem técnica, o canto é técnica, o canto é trabalho contínuo e sério sobre o próprio instrumento>>!!!
(Clique aqui para o vídeo)

Luisa Tetrazzini:
(  )“É necessário entender o funcionamento dos pulmões, diafragma e do inteiro aparelho respiratório, pois o fundamento do canto é a respiração e o controle do fôlego.
A respiração baixa no diafragma e não como fazem alguns, em cima, na parte superior do peito. Tenho sempre um pouco de ar reserva para o “crescendo”, empregando somente aquilo que é absolutamente necessário, e retomo o fôlego onde quer que seja o ponto mais cômodo para fazê-lo.

Um cantor deve ser capaz de confiar no seu próprio fôlego, como ele confia na solidez do chão sob os seus pés. Uma respiração trêmula, sem controle é como uma fundação inadequada no qual não se pode construir nada, até que aquela fundação não seja desenvolvida e reforçada, o cantor aspirante não deve esperar um resultado satisfatório.

Jamais se deve fazer alguma pressão na garganta. O som vocal deve ser produzido do fluxo de ar contínuo. Devem aprender a controlar este fluxo de ar, de modo que nenhuma ação muscular da garganta possa interrompê-lo. A quantidade de som é controlada por meio da respiração.”
(trecho de: "Caruso and Tetrazzini on the Art of Singing" – Metropolitan Company, Publishers, New York, 1909)

E agora um vídeo que vale mais que mil palavras, no qual, a divina Montserrat Caballé realiza um exercício pratico a algum dos seus alunos. O mesmo que eu também sempre proponho aos meus (mas quantos deles o praticarão regularmente? ;) )

Boa respiração a todos

M° Astrea Amaduzzi
Belcanto Italiano ringrazia GABRIELA NUNES per aver tradotto l'originale articolo italiano "La respirazione nel canto lirico" in lingua portoghese. 

ACADEMIA NACIONAL DE BELO CANTO ITALIANO ®
ANO ACADÊMICO 2018/2019
Alessandria, (ITALIA), Teatro Parvum

Curso de Alta formação para Cantores
Curso de alto magistério para docentes de canto

Prazo de inscrição: 10 novembro 2018
Audições: 21 novembro 2018

Informação para contatos e secretaria:
Tel/WhatsApp: +39 347 58 53 253
Email segreteria.belcantoitaliano@gmail.com
www.accademiabelcanto.com